Documentário sobre Maria Bethânia...
Filme sobre Bethânia estréia na Espanha Publicado em 04.01.2006, às 10h57
O filme "Maria Bethânia: Música é perfume", do documentarista francês Georges Gachot, estreará na próxima sexta-feira (06) na Espanha.
Gachot, músico e documentarista, disse à EFE em entrevista por telefone que o filme é seu "presente de Natal particular para o Brasil e para os amantes da artista, que é a maior cantora do mundo".
O autor, que rodou vários documentários sobre música clássica, entre eles um dedicado à pianista argentina Martha Argerich - prêmio Prix Itália - conheceu Maria Bethânia em 1996, em um show da cantora.
Com mais de 40 anos de palco, Maria Bethânia foi a primeira cantora brasileira a vender mais de 1 milhão de discos.
"Ela me impressionou tanto, senti-me profundamente tocado por sua forma de fazer música. Fui a muitos shows em minha vida, mas nada pode ser comparado com ela. Ao escutá-la, senti-me muito perto de seu coração", disse Gachot.
Foi então que ele decidiu fazer um documentário sobre ela.
"Enviei a ela meu filme sobre Martha Argerich, ela gostou e aceitou a proposta." Entre 2003 e 2004, Gachot viajou três vezes ao Brasil, o que permitiu que ele passasse um total de 11 semanas com a cantora e com muitos de seus "cúmplices", entre eles seu irmão Caetano Veloso e outros músicos brasileiros como Chico Buarque, Nana Caymmi, Miúcha e Gilberto Gil, que define a voz da artista como "uma fricção do tudo e do nada".
A mãe da cantora, Dona Canô, lembra no filme como, quando menina, Bethânia nunca era escolhida para cantar no colégio devido ao timbre grave de sua voz.
Filmando com uma única câmera, Gachot se aproximou do universo da cantora "sem padrões prévios", porque essas regras "não tinham sentido para abordar uma artista tão complexa".
"Ela não fala francês e eu não falo português. Às vezes tínhamos um tradutor, mas nossa comunicação teve mais a ver com o olhar e com uma espécie de inteligência musical", disse o cineasta, um pianista que afirmou que "editar as 80 horas de material gravado foi um trabalho parecido com o de compor uma música".
Ao longo do filme, Maria Bethânia desentranha sua forma de entender a música brasileira: "é como o perfume, sensorial e imediato" ou "é a tristeza que oscila".
"Quando você a tem a um metro, cantando, é como estar no céu", disse George Gachot, que garante que sua meta ao fazer o documentário era que seus espectadores "nunca se esquecessem de que tinham passado um momento perto dela através do cinema, da mesma forma que se a visse alguma vez em um show inesquecível".
Fonte: UOL
Escrito por -=§wë£=- às 15h06
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