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MISA....

Hmmm...hoje no MISA? Sim, estarei lá. O retorno...

 



Escrito por -=§wë£=- às 12h43
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P.A.R.A.B.É.N.S.

O dia está quase acabando...Falta pouco. Corre que ainda dá tempo de postar algo para o amigo Edson Bezerra.

"Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro do portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme de Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom
Com letra de Chico
Frango caipira em
Pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a banda passar
Noite de lua cheia
Ter fé em Deus ou em quem acreditar
Não ter que ouvir
A palavra não (se bem que às vezes, necessário)
nem jamais adeus
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-sol na roça (Lindo!)
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar com um amigo antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu." (Drummond) e algumas palavras que eu coloquei.



Escrito por -=§wë£=- às 23h44
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Escutando João Cabral de Melo Neto na voz do Lirinha...

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço.
O amor comeu meus cartões de visita.
O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas.
O amor comeu metros e metros de gravatas.
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus
sapatos, o tamanho de meus chapéus.
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas.
Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas meus raios-X.
Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia.
Comeu em meus livros de prosa as citações em verso.
Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso:
pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete.
Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus
utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no
banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que
parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa.
Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de
propósito escondido.
Bebeu as lágrimas dos olhos que,
ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde
irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta,
cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O
amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que
riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua
chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de
gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre
passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de
automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água
morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues
crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das
plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados
pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas
chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro
de maresia. Comeu até essas coisas de que eu
desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas
folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu
relógio, os anos que as linhas de minha mão
asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro
grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da
terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha
noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio,
minha dor de cabeça, meu medo da morte.

As falas do personagem Joaquim foram extraídas da
poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João
Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova
Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.



Escrito por -=§wë£=- às 14h33
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